sexta-feira, 2 de julho de 2010

Dores abdominais, lombares e pélvicas mais comuns

Na rotina do consultório, algumas perguntas são bastante frequentes entre as gestantes. Então, aos poucos vou trazê-las para o site com as respostas que costumo dar para minhas pacientes. Se você tiver alguma sugestão ou pergunta para ser discutida aqui, envie-me um email: angelarios2@gmail.com

Quase toda mulher grávida apresenta pelo menos uma vez um sintoma doloroso na região abdominal, lombar ou pélvica. Isto é compreensível, já que a região está sofrendo instensas mudanças e adaptações e a atenção da mamãe voltada quase que totalmente para "o próprio umbigo". Veja se você já identificou algum destes sintomas e saiba como é o tratamento:


- Dor em "pontada" ou "agulhada" em pontos específicos do abdomem, que muda de lugar e é desencadeada por mudança de posição e permanece por poucos minutos: pode ser um sintoma de gases intestinais. A redução da motilidade da musculatura lisa, associada à compressão do intestino e deslocamento do mesmo pelo útero aumentado poderá provocar o aparecimento de constipação intestinal e hemorróidas. Para evitar esse incômodo, consuma alimentos ricos em fibras e beba bastante água, faça massagem abdominal e movimentação abdominal e pélvica, conforme as figuras acima:

- Dor "esticando" o abdomem: As mulheres magrinhas e aquelas com melhor tônus no músculo abdomem podem senti-lo esticar, principalmente lá pelo 4° mês de gestação. Essa sensação não é exatamente dolorosa, mas pode ser incômoda, pois permanece por vários dias ou meses. Alongamento dos musculos desde o início da gravidez pode amenizar o desconforto.

- Dor "profunda" na região lateral inferior do abdomem: estiramento do ligamento uterino. Não é tão comum, mas a mulher pode perceber um estiramento no ligamento largo do útero quando muda de posição, principalmente virando-se na cama. A dor é sentida do lado oposto ao que está apoiado na cama, é forte quando muda de posição e vai aliviando rapidamente, conforme a barriga "se acomoda". Não é grave, mas não há como prevenir ou tratar. O recomendado é virar-se devagar e apoiar a barriga em um travesseiro.

- Dor em baixo vente ou "no pé da barriga": A dor na região baixa da barriga é o desconforto mais comum entre as minhas pacientes. Essa dor pode ser pelo aumento do volume abdominal, que causa sobrecarga da musculatura, neste caso a dor é de fadiga muscular, aparece em estágios mais avançados da gravidez (por volta de 6 meses) e tende a piorar no final do dia ou após períodos em pé ou andando, melhora com o repouso. Uma cinta abdominal ajuda a suportar o peso e melhora o sintoma, aliviando também a sobrecarga lombar, mas o melhor tratamento é fortalecimento abdominal iniciado o quanto antes.


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Dor ao mudar de posição a noite ou subir degraus, articulação frouxa
(dor sacroilíaca): Esta é muito comum e muito limitante, principalmente quando há um ganho excessivo de peso, fraqueza muscular e pouco intervalo entre as gravidezes. A gestante "trava" quando tenta se virar na cama, e sente como se os ossos do quadril estivessem soltos. E estão mesmo! O hormônio relaxina é responsável por "amolecer" as articulações do quadril, favorecendo a abertura para a passagem do bebê. Para prevenir, exercícios de fortalecimento da musculatura do quadril. O tratamento depende da gravidade do caso, pode exigir mobilização passiva e recursos de eletroterapia.

- Dor na sínfise púbica, dor no púbis: a dor na região púbica tem a mesma causa que a dor sacroilíaca: frouxidão ligamentar. Os ossos do quadril são unidos no púbis por uma cartilagem que "se alarga" para aumentar o diâmetro da pelve, preparando o corpo para o parto. Geralmente a dor piora no final do dia ou após atividade intensa e é mais comum no final da gestação. Exercícios de mobilização pélvica, como o gato, tendem a melhorar o sintoma.

- "Barriga dura": as chamadas contração de Braxton-Hicks são contrações uterinas que acontecem ao longo de toda a gravidez, sendo cada vez mais facilmente percebidas com a evolução da mesma. A barriga fica dura, sem provocar dor, mas a mulher muitas vezes precisa parar o que estiver fazendo até a contração passar.


- Dor lombar: a dor lombar é, sem dúvida, a queixa mais comum entre as gestantes. Causada pela sobrecarga que a mudança na distribuição de peso promove na região, a dor lombar é mais forte e mais comum naquelas mulheres que já apresentavam o sintoma antes da gravidez. As atividades de trabalho, os calçados, alterações posturais, ganho excessivo de peso e fraqueza muscular influenciam diretamente a lombalgia. O tratamento pode ser feito com manipulação, exercícios e eletroterapia, sendo indicado de acordo com cada caso. Quando associação com pinçamento do nervo ciático, é chamada de lombociatalgia.

- Dor ciática: A dor ciática está associada quando há compressão do nervo ciático (ou esquiático) cuja raiz emerge da coluna lombar. É uma dor "em linha" que passa pela região posterior da perna, podendo chegar até os pés. Em casos mais graves causa sensação de formigamento e dificuldade de movimento. É preciso uma avaliação cuidadosa para definir o tratamento, que inclui exercícios, mobilização e eletroterapia.

- Dor na virilha (Síndrome do piriforme): O piriforme é um musculo profundo que fica na região glútea. Quando há uma contratura deste músculo, ele pinça os nervos da região e provoca dor no glúteo que "caminha" para a virilha, pode causar também sintomas de formigamento nessa região. A dor geralmente aparece rapidamente e não melhora até que seja feito o tratamento correto. Muitas vezes é confundido com lombociatalgia. O tratamento exige exercícios que alongem essa musculatura, pode ser necessário mobilização.

Os exercícios mostrados aqui são alguns dos que você pode fazer durante a gravidez para melhorar estes desconfortos. Mas, lembre-se: com a supervisão de um especialista o resultado é sempre melhor e mais seguro!




Escrito Por: Angela Rios
Fotos: Angela Rios

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