sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

O exercício pode interferir na amamentação?

Encontrei este texto na internet e resolvi colocá-lo aqui. É importante salientar que o corpo da mulher após o parto leva um tempo para se readaptar às mudanças tanto no gasto energético quanto na rotina de alimentação, sono, etc. Os exercícios neste período devem ser muito bem monitorados com acompanhamento de um profissional capacitado. Exercícios como o Yoga e Pilates geralmente não oferecem riscos, porém, corridas e atividades mais intensas podem ser prejudiciais. A alimentação e MUITA ingestão de líquidos também é fundamental para que a amamentação seja prolongada.

Correr “seca” o leite?

Veja o texto original, muito didático e com informações valiosas.
Publicado no dia 07/07/2009
Profa. Ms Gizele A. Monteiro


Essa é uma pergunta que não é rara de acontecer. Também é uma observação feita por alguns profissionais que trabalham com mulheres no período Pós-parto.
O retorno ao exercício no Pós-parto sempre deve ser gradativo, mas não só por uma preocupação com a amamentação. Durante o período gestacional muitas alterações corporais ocorreram e o retorno ao exercício deve sempre ser orientado por um profissional que entenda essas mudanças do organismo feminino, diferenciando assim o programa e o atendimento. Diante desse quadro, voltemos a nossa questão. Um profissional que entende o que acontece com a mulher saberá dosar o exercício numa intensidade adequada para que essa questão não seja respondida de forma positiva.
Não só correr pode prejudicar a amamentação e o corpo da mulher, MAS QUALQUER EXERCÍCIO ORIENTADO DE FORMA INCORRETA.
A produção de leite consome muita energia. Uma mãe em fase de amamentação produz entre 800 e 1200 ml de leite por dia e, para cada litro de leite que a mãe produz, há um gasto de 900 calorias em média.
Portanto se o “exercício for intenso ou num volume elevado” e a mulher tiver uma ingestão inadequada poderá prejudicar a amamentação, pelo alto gasto energético que ocorre nesse período. Além do exercício e da ingestão alimentar inadequada, uma hidratação inadequada também poderá comprometer a amamentação.
As pesquisas relacionadas a amamentação e exercício observam um aumento de ácido lático no leite materno. Esse aumento relaciona-se com a intensidade do exercício, isto é, quanto mais intenso mais ácido lático haverá no leite. A grande discussão era que esse ácido lático poderia modificar o sabor do leite e dessa forma o bebê passaria a não aceitá-lo, sendo então que de forma indireta o exercício estaria interferindo na aceitação do bebê ao leite após o exercício pela mudança no sabor deste.
Alguns autores observaram essa resposta, havendo uma diferença na aceitação do leite em mães que realizaram “exercício intenso“, sendo o mesmo associado ao aumento da concentração de ácido lático. Os estudos com intensidades adequadas “não mostraram efeitos negativos” sobre a amamentação.
Cary & Quinn (2001) em revisão literária concluíram que “exercício e amamentação” eram atividades compatíveis, sendo que dos vários estudos analisados os mesmos não demonstram efeito prejudicial do exercício leve-moderado durante a lactação não afetando a composição, o volume do leite, o crescimento, o desenvolvimento infantil, ou a saúde materna. O exercício também teria um efeito muito importante na melhora da aptidão cardiovascular nas lactantes e na sensação de bem-estar quando comparara lactantes ativas com mulheres sedentárias.
Então concluindo: ao treinarmos, o organismo produz ácido lático e este ácido poderia modificar o sabor do leite, o que pode fazer com que o bebê rejeite o “peito”. Se o bebê não mama, o organismo não tem estímulo para produzir mais leite. Não havendo mais produção, o leite realmente pode “secar”, ou melhor, deixar de ser produzido.
O correto é que o profissional saiba organizar a sessão de treino para que as intensidades não sejam ultrapassadas, não só pelo aspecto da amamentação, mas também pelo exercício intenso ou em grande volume poder comprometer o sistema músculo-esquelético nesse período.
Dica importante - As mamas no período de amamentação estarão bem maiores e pesadas. Principalmente se a atleta for realizar atividades de impacto, como corrida, certifique-se de que eles estejam bem firmes (talvez seja necessário usar dois tops ou um suporte mais adequado).
Se desejar mais informações sobre o tema “Gravidez e Exercício” acesse o sitewww.metodomaisvida.com.br/gestantes

Referências Bibliográficas:
Wallace, JP, Rabin, J. Int J Sp Med. 12 (3) :328-31, 1991. The concentration of lactic acid in breast milk following maximal exercise. Int J Sports Med. 12(3):328-31, 1991.
Wallace, JP, Inbar, G, Ernsthausen, K. Infant acceptance of postexercise breast milk.Pediatrics. 89(6 Pt 2): 1245-7, 1992.
Gale B. Carey, Timothy J. Quinn, Susan E. Goodwin. Breast milk composition after exercise of different intensities. J Hum Lact. 13(2): 115-20, 1997.
Quinn, TJ, Carey, GB. Does exercise intensity or diet influence lactic accumulation in breast milk?Med Sci Sports Exerc. 31(1):105-10, 1999.
Cary GB, Quinn TJ. Exercise and lactation: are they compatible. ? Can J Appl Physiol. 26(1):55-75, 2001.
Wright KS, Quinn TJ, Carey GB. Infant acceptance of breast milk after maternal exercise.Pediatrics. 109(4):585-9, 2002.
Su, D, Zhao, Y, Binns, C, Scott, J, Oddy, W. Breast-feeding mothers can exercise: results of a cohort study. Public Health Nutrition. 10(10):1089-1093, 2007.

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

O que é parto humanizado?

Recentemente fui convidada a dar uma palestra sobre o tema que mais me motiva: Humanização de partos e nascimentos. Montei a palestra com muito carinho, baseada em ótimas referências e falei para uma platéia de profissionais da saúde. Me senti muito honrada com o convite e gostaria mesmo de poder falar sobre o assunto para mais e mais pessoas.

E o que é humanização? Para alguns profissionais, o termo humanização pode soar como crítica ao trabalho feito por estes como "não humano". Também pode ser entendido como caridade, bem-feitoria ou como romantismo. Mas não é. Humanização é acima de tudo RESPEITO!

Falando especificamente de humanização no nascimento, humanização é:

E sabe o que realmente importa para que a mulher fique satisfeita com a assistência que lhe é dada durante o seu parto?? O acolhimento! Sim... cuidado, segurança e participação na tomada de decisões são os fatores que mais influenciam uma percepção de boa assistência ao parto:

E para proporcionar uma boa qualidade de atendimento, o segredo é seguir as recomendações da OMS, da iniciativa Hospital Amigo da Criança e da iniciativa Galba de Araújo. Alguns ítens variam de um para o outro, mas todos recomendam as mesmas coisas:


A melhor assistência ao parto é aquela que respeita a natureza e a fisiologia do corpo da mulher, intervindo somente se for necessário, o que nos leva a discussão do que é normal.



E porque, mesmo com orientações tão claras que já vêm de duas décadas e com evidências científicas que nos mostram claramente que a assistência ao parto no Brasil está longe de ser adequada, permanecemos estagnados ou evoluímos muito pouco em relação à humanização?

Os obstáculos à humanização levantados pela literatura foram:




















Foi discutido também sobre a violência no atendimento à mulher, mas este tópico ficará para outro post.
Segue abaixo as referências que eu usei:

Meus desejos para 2011 não são presentes dados pelo bom velhinho, são as realizações das metas que trabalho dia-a-dia para concretizar. Meu desejo e meta para 2011 é plantar a semente da humanização no meu trabalho, no coração dos meus colegas, e na realidade dos serviços de saúde onde eu puder chegar.

sexta-feira, 10 de dezembro de 2010

Como educar durante as birras?

Ter um filho de 1 ano e meio coloca a prova todas as nossas convicções sobre educação e birras. Se você já viu uma criança fazendo escândalo no supermercado e pensou "ah, se fosse meu filho..." (como eu já fiz!), prepare-se... tendo um filho normal e saudável, você também vai passar por isso!! E o que fazer nessa hora? Algumas opções:

a- ceder à vontade do pequeno tirano para acabar logo com a birra
b- gritar mais alto, dar uns tapas e mostrar quem é que manda
c- ir embora e deixar tudo pra trás
d- respirar fundo, olhar nos olhos e explicar pela décima quinta vez que ele não pode bater/ chutar/ jogar/ pegar e mostrar como é o certo

No meu caso, fico com a alternativa "d". Eu não sou beata, tampouco um poço de calmaria, mas tenho consciência que para poupar esforços a longo prazo, tenho que fazer um esforço extra agora. Educar é assim, não é fácil... o Nícolas testa os seus limites o tempo todo, e quem determina até onde ele pode ir sou eu (e o pai, claro!). Tenho convicção que ceder à uma birra só vai criar mais espaço para outras birras, e uma criança chorona e que não tem noção de limites pode se tornar um adolescente problemático e um adulto frustrado.




É... criar um filho não é coisa de criança não... mas ensinar pode ser divertido, depende de como a gente encara os desafios!


Veja um excelente texto que saiu esta semana no Guia do Bebê:


PAIS NÃO SÃO AMIGOS

Muitos pais procuram ajuda, pois não conseguem controlar seus filhos pequenos. São crianças muito novas, entre dois e cinco anos e que ganharam de seus pais o direito de assumir a função que antes era deles.
Como assim? Com alguns subterfúgios, incluam-se as birras, a criança consegue reverter a decisão dos pais a seu favor, mesmo que não seja a mais adequada.
No começo, acham que é uma gracinha, pois demonstra que seu filho "sabe o que quer", "tem opinião própria", etecetera e tal. Só que a criança não fica para sempre com a mesma idade... ela cresce e, sem limites, a situação se complica.
Os pais devem compreender que não podem ser amigos dos próprios filhos, pois na amizade supõe-se uma interação linear, quer seja, não há hierarquia e todos se manifestam da maneira que têm vontade, algumas vezes com muito exagero. Os pais podem e devem ter atitudes amigas, mas não são amigos. Pais são pais, devem dar as regras e limites de comportamento a seus filhos, pois estes não conseguem lidar sozinhos quando o problema é mais conflituoso ou quando as emoções se exacerbam.
Os pais devem ter autoridade sobre os pequenos, sem necessidade de serem autoritários. Basta que lhes expliquem o motivo pelo qual tomaram determinada decisão. E, uma vez tomada, mantê-la, para não confundirem a cabecinha deles. Para isso é preciso que reflitam antes sobre como desejam educá-los e, mais importante ainda, que o parceiro não o desautorize na frente deles.
Não enviem mensagens dúbias, aquelas que a criança compreende como lhe convém ou, ainda, não tomem decisões de acordo com o humor do momento. Sejam sempre claros e firmes.
É claro que algumas regras e limites têm prazo de validade. Conforme a criança se desenvolve e adquire mais autonomia e, com ela, maior responsabilidade, serão alterados. A criança precisa saber disto. Assim, informe-a dos que valem para sempre como respeito, honra, generosidade.
É através do limite que a criança passa a enxergar "o outro" e que vai assimilando que não se pode ter ou fazer tudo o que se deseja, principalmente se invadir o espaço alheio.
Se por muitas gerações a criança não teve vez ou voz ativa, parece que atualmente alguns pais são muito permissivos, têm receio de impor limites, regras e valores sociais, com a compreensão de que lhes farão mal ou provocarão trauma psicológico. Puro engano. Certa dose de frustração não faz mal a ninguém e algumas satisfações terão que ser adiadas.
Há de se encontrar equilíbrio naquilo que se ensina e espera de uma criança. Ela tem que aprender que muitas e muitas coisas pode fazer e outras tantas, não. E lhe demonstrar que isto é verdadeiro.
Quando tiver que evitar um comportamento inadequado, pode lembrá-la de um positivo, esclarecendo que é mais saudável e aceita a substituição de um pelo outro. Sempre com muito carinho, compreensão e tranquilidade, pois criança não nasce sabendo como viver e se comportar em sociedade. Ela sempre vai precisar de um adulto responsável para lhe ensinar.
Esta página foi publicada em: 08/12/2010.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

Seguindo o meu instinto...

Não, ao contrário do que eu já escrevi aqui no blog, eu não consegui parar de amamentar durante a noite. Houve uma ou duas noites que eu achei que estava conseguindo tirá-lo do peito e fazê-lo dormir sozinho a noite toda, mas as circunstâncias do dia-a-dia me fizeram ver de uma forma diferente...

Passei por uma fase em que ele acordava para conferir se eu estava do lado, sugava um pouquinho e voltava a dormir, ele tinha então pouco menos de 1 ano. Foi quando tentei pela primeira vez o "desmame gentil" (veja aqui)... até acredito que funcionaria, mas veio uma doencinha e eu dessisti... não era o momento!

Depois, quando ele tinha 1 ano e 2 meses resolvi tentar denovo (veja aqui). Foi na base da conversa e da paciência, consegui por algumas noites, mas não durou muito, logo ele começou a acordar denovo e eu percebi que ele precisava de minha atenção... voltei a amamentar durante a noite.

Alguns meses depois pensei que amamentar durante a noite era problemático para mim, pois comecei a entrar no trabalho muito cedo e por não esticar mais um pouquinho a soneca, ficava irritada e com sono. Porém, tentar o desmame foi ainda pior, pois ele chorava muito mais e acordava com mais frequência, o que me deixava deprimida, mal-humorada e com mais sono ainda. Tentei, de várias formas, até mesmo a terrível técnica do deixá-lo chorar eu tentei... agora me arrependo, pois não teve efeito... quantas noites traumáticas em vão!!

Tudo isso por ouvir opiniões de outras pessoas e suprimir meu instinto, por insegurança, por medo de errar... "ser mãe é padecer na culpa"! Como eu fui tola... só quando atravessei estes muros consegui sentir e perceber o quanto ele precisa do mamá, não por necessidade física, não para se alimentar, mas para saber que estou ali, que ele está seguro, que naquele momento somos só nós... ele precisa disso e eu também!

Mas as coisas foram tomando seus próprios rumos, entre noites tenebrosas persistindo no desmame e noites deliciosas deixando-o dormir no meu quarto (muitas vezes na minha cama) e mamando em livre demanda, optei pela segunda opção e desencanei. Agora as noites são calmas, todos nós dormimos mais tranquilos e eu já decidi que o desmame será natural, quando tiver que ser.

Seja de noite ou durante o dia, eu sei que ele está crescendo e se desenvolvendo. A amamentação me permite ser uma mãe muito mais próxima, consigo sentir e perceber quando devo deixá-lo e quando devo intervir. E não vou pensar em desmame agora. Como todas as coisas boas da vida, essa fase terá o seu momento, e meu bebê deixará de ser bebê, e eu vou sentir muita saudade da sua carinha feliz me esperando ansioso pelo mamá, dos olhos nos olhos, dos beijinhos na testa, do cheirinho dele durante a noite, da mãozinha no coração... Eu quero mais é aproveitar!

Claro, que vou ter que fazer cara de "paisagem" com o espanto das pessoas: "Nossa! Ele ainda mama? Mas quantos anos ele tem?". Estranho pensar que ninguém se espanta ao ver uma criança de 1 ano e meio tomando coca-cola, mas todos observam quando ela está mamando!

E tem os que vão dizer (e já disseram, muitas vezes!) que ele vai ficar muito dependente, que ele não vai se desenvolver, que será muito difícil tirar o peito depois (depois do quê?). Só que estes, com certeza não amamentaram seus filhos por muito tempo, não conhecem a maravilhosa ligação que a amamentação traz entre mãe e filho, não se deixaram levar pelo instinto maternal. Pode ter certeza, aquelas mães que se permitiram viver isso, só têm histórias boas pra contar.

Tem outro ponto importante também: amamentar exige que eu tenha disciplina e cuidado para estar por perto quando o meu bebê precisar, e pra isso eu tenho que me privar de muitas coisas. Viajar sem o filho é muito difícil (eu fiquei dois dias fora e foi terrível), baladas até alta madrugada, não vai dar, pois tenho que estar presente, consciente e atenta de dia e de noite. Mas eu acredito que cada escolha é uma renúncia... eu já curti bastante o mundo lá fora, e vou voltar a curtir em breve. Amamentar é se voltar para dentro...