Quem me conhece sabe que eu sou romântica sempre. Não romântica no sentido meloso, carente ou cheio de demosntrações públicas de afeto... mas sim a romântica que acredita nas pessoas, que acredita que as coisas vão dar certo mesmo que não estejam bem agora, que a beleza da chegada depende do que está no percurso, no aprendizado, na convivência, nos sonhos... Hoje eu estou especialmente romântica.
Estes últimos dias venho vivido um intenso trabalho reflexivo, tanto sobre minha vida profissional quanto como minha vida pessoal e minha percepção enquanto mulher, enquanto pessoa. São tantos os pontos, tantos os aspectos avaliados continuamente por essa minha cuca acelerada que terei que ser objetiva e fazer uma análise de cada vez.
AMAMENTAÇÃO PROLONGADA
Sim, continuo amamentando. Não nego que seja cansativo ter um serzinho que precisa que eu esteja alerta e disponível no mínimo algumas horas por dia, todos os dias inclusive sábados, domingos e feriados. Claro que tem momentos que eu queria um tempo maior pra mim quando estou em casa, espero não estar tentando ser uma mãe perfeita, porque sei que a beleza das boas relações é reconhecer e amar (ou pelo menos aceitar) até mesmo as imperfeições. Porém, estou vivendo um momento muito especial da minha vida com toda intensidade que ele deve ser vivido. Houve antes momentos especiais, virão outros, mas ser mãe de um bebê com certeza é uma das experiências mais intensas da vida.
Esta semana o Nícolas esteve doentinho, pegou uma virose, foi uma das primeiras vezes que isso aconteceu. Teve a garganta inflamada, diarréia e febre alta e me deparei com um problema que poucas vezes tive que enfrentar: ele não aceita ingerir nenhum remédio. Teve que tomar injeção, após muito choro, vômitos e banhos de água morna pra baixar a febre.
Foi uma barra, mas eu tenho uma arma nada secreta e muito poderosa: o peito! E agradeci aos céus por poder amenizar o desconforto dele de uma forma tão especial. Passei horas com ele no peito, por alguns dias o meu leite foi a única coisa que ele conseguiu ingerir, mas ficou evidente o quanto ele é forte e eu me senti poderosa por poder suprir sua necessidade de cuidado e de alimento. E é assim mesmo, para surpresa de alguns, onde eu estiver eu dou o peito. Nunca recebi nenhuma ofensiva e realmente não fico me escondendo ou procurando quem está observando. Não sou exibicionista mas se querem olhar, que olhem... e vejam uma romântica cena de amor!
Ser mãe para mim é dividir o quarto e a cama, é amamentar de madrugada sem me estressar com isso (e sem acordar, na maioria das vezes), é cuidar do filho doente com muito colo e muita calma, mas chorar no ombro do marido com medo de não conseguir.
Viver esse momento com toda essa intensidade não me impede de continuar trabalhando (principalmente porque cada vez mais eu amo o que eu faço), mas eu tenho que me esforçar para não abrir mão dos meus momentos “mulher”, tenho que rebolar pra conciliar a casa e o trabalho e tenho que reavaliar conceitos de uma sociedade consumista e que tem se afastado cada vez mais do nosso lado humano.
Acho que os principais fatores para viver a maternidade e continuar produzindo são: tentar levar tudo com leveza e bom humor e procurar me conhecer e saber o que eu quero. É claro que também conto com coisas práticas como a vantagem de um trabalho que não me exige muitas horas por dia, viver em uma cidade onde estou sempre perto de casa, contar com pessoas e delegar funções para não precisar dar conta de tudo, e com coisas subjetivas como a capacidade de crítica e de reflexão.
*Imagens: theparentingpit.com



Eu também tenho horas em que reivindico mais tempo para mim, para fazer tal ou qual projeto, para simplesmente descansar. Mas descobri que esse tempo e esses desejos são muito mais dos outros do que meus. Eu tenho muito prazer em viver numa casa com chão sujo, desde que o Otto e eu estejamos nos divertindo. Muitas vezes eu já disse: "mãe poderia ter férias, tipo cinco dias de não-ser-mãe para pôr a minha vida, a minha casa no lugar"... mas, a vida e a casa só são do jeito que estão por causa dos filhos. Sem eles, tudo seria diferente, até a gente. Além do mais, logo eles vão crescer e seguir a vida, deixando a gente "sozinhas". Temos que aproveitar enquanto eles ainda cabem no colo!
ResponderExcluirÉ mesmo Stella... tenho pensado muito nisso... terei bastante tempo pra viver outras coisas, agora o momento é de viver a maternidade!
ResponderExcluirAngela que perfeito o seu texto para meu momento também!!!! Obrigada! Fiquei com vontade de fazer "newsletter" e encaminhar para todos meus amigos e familiares... rs. Beijos, vou acompanhar sempre; ;)
ResponderExcluirOi Jul... obrigada! Apareça sempre ;)
ResponderExcluirAngela,
ResponderExcluirParabéns pelo blog! Até indiquei no meu (coloquei link no texto sobre a massagem perineal).
Beijos!